A descrição é atemporal, por um lado, e espacial, por outro.Verbos indicativos de ação ou movimento são secundários, valorizando-se os processos verbais não-significativos, ou de ligação. Há grandes descrições que desprezam totalmente formas verbais finitas, ressaltando o emprego de formas nominais (infinito, gerúndio e particípio).
Convém que se observe, na descrição, a quase ausência de processos verbais finitos (indicativo ou subjuntivo), o que dá a descrição um tom especialíssimo de imobilidade do objeto.
atemporal-independe do tempo.
espacial-Relativo ao espaço de lugar ou de tempo
Tipos de descrição
1. Descrição denotativa: A descrição é denotativa quando a linguagem representativa quando a linguagem do objeto é objetiva, clara, direta, sem metáforas ou outras figuras literárias. Na descrição denotativa , as palavras são tomadas no seu sentido de dicionário, único. Denotativas são por exemplo, as descrições científicas, as descrições que vem nos livros didáticos, ou seja, se usa a linguagem objetiva.
2. Descrição conotativa: É a descrição literária, onde s palavras são tomadas em sentido simbólico, ricas em polivalência . Visam a retratar uma realidade além da realidade. Uma
supra-realidade.
Dado, por exemplo, o tema "A cadeira " para descrever:
a. A pessoa que se limita a descrever fisicamente a cadeira - suas pernas, espaldar, assento,altura, cor etc.- estaria fazendo descrição denotativa.
b. Mas aquele que passasse, digamos, a descrever "reações psicológicas" de uma cadeira diante dos diferentes tipos de nádegas que sobre ela repousassem... estaria fazendo
descrição conotativa.
Qualidade da boa descrição.
Uma descrição é boa quando é viva, animando-se as paisagens com seres vivos e com a presença do homem. Além de viva a descrição deve ser real e personalizada.Descrição real e pormenorizada. Descrição real é a descrição em relevo, dotada, podemos dizer, de corpo. Devem ser eliminados todos os pormenores que não se subordinem à impressão geral que se quer dar.
O estilo da descrição
A linguagem descritiva exige o vigar e o relevo do tempo forte, próprio, exato, concreto.
Nos quadros de natureza, por exemplo, a linguagem deve traduzir a cor e a visão, os espaços sem limites, as formas sem contornos, imprecisas, intangíveis, para isso utilizando os termos gerais e abstratos.
Exemplos de descrição
1. " Duas horas da tarde. Um sol ardente nos colmos dardejando e nos eirados sobreleva aos sussurros abafados o grito das bigornas estridentes..." (Gonçalves Crespo)
2." Manhã cinzenta. Partida de Lisboa. Os primeiros aspectos da campina ribatejana: touros, campinos de vara ao alto searas infinitas.
Depois mutação de cenário: florestas de pinheiros verdenegros, outeiros.
Uma aberta luz: campos extensos de milho e arrozais. Enfim, o tufo espesso do Choupal. Coimbra, debruçada sobre o Mondego." ( R.Lapa)
3."Sala de prédio novo no pátio do torel. Ornamentações "Liberty" na sua clara tonalidade preferida que funde o verde-mar e em rosa-pálido. Duas grandes janelas por onde se perspectiva a baixa e um longo trecho do rio. A parede do sul cortada por três arcos envidraçados que dão para uma espécie de estufa recendente". ( Teixeira Gomes)
4."Os companheiros de classe eram cerca de vinte. O Gualtério, miúdo, redondo de costas, cabelos revoltos, motilidade brusca e caretas de símio - palhaço dos outros, como dizia o professor. O Nascimento, o bicanca, alongado por um modelo geral de pelicano, nariz esbelto e largo como uma voice ; o Álvares, moreno, cenho carregado, cabeleira espessa e intonsa de vate de caverna, violento e estúpido (...); o Almeidinha, claro, translúcido, rosto de menina, faces de um roa doentio, que se levantava, para ira à pedra com um vagar lânguido de convalescença; o Maurílio, nervoso, insofrido, fortíssimo em tabuada: cincocvezes três, vezes dois, noves fora, vezes sete?...
(O Ateneu, Raul Pompéia- Coleção dos Clássicos Brasileiros, Edições de Ouro,p.57.)
Exemplo de descrição de pessoa
NHÔ RUFA
Chamava-se Rufino o preto cujacarapinha em desalinho a neve dos anosmanchara de branco. Não sei a sua ida-de, mas meu avô dizia que "Negro quan-do pinta tem três vezes trinta". Talvezcarregasse por noventa anos aquelecorpo magro e dolorido. As pálpebras empapuçadas deixa-vam entrever, dos olhos, apenas um ris-co preto que mirava com ódio a menina-da que o acompanhava e divertia-se àssuas custas. A pele preta era opaca e sem viço,próprio da idade avançada. Seu narizachatado parecia esborrachado. O lá-bio inferior, bem vermelho e grosso, pen-dia desgovernado, dificultando a fala.Os pés grandes e descalços, sem-pre inchados, permitiam-lhe apenas umcaminhar trôpego, arrastado e cansa-do. Usava um velho capote de cor inde-finida, onde predominava o pó da estra-da, e um chapéu de feltro, maltratadopelas intempéries, tão deformado pelafalta de forro a ponto de parecer umatigela desabada sobre os olhos.Trazia a tiracolo um bodoque (queé um arco para atirar bolotas de barro)e, no outro ombro, uma velha aljava decouro, velha e encardida, repleta dasditas bolotas de barro seco, sua armacontra os meninos. Estes diziam que NhôRufa tinha bicho-de-pé e gritavam






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