terça-feira, 21 de maio de 2013

Diferentemente da descrição, que é o fato de você colocar no papel aquilo que vemos, usando o sentindo dicionarizado ou metafórico, a  narração se difere, pois ela é dinâmica, nela predominam os verbos, quando na descritiva os verbos indicativos de ação ou movimento ficam em segundo plano, valorizando-se os processos verbais não-significativos, ou de ligação.

Tente criar a sua redação descritiva!

Narração


Narrar é discorrer sobre fatos, é contar. Consiste na elaboração de um texto que relate episódios, acontecimentos, ou seja, é uma sequencia de acontecimentos: começo, meio e fim.
Equivale a um registro histórico , de um "causo", de uma anedota, de uma piada. Quando se conta uma história ( verdade ou inventada), está se falando de uma narração.
A narração pode ocorrer no momento em que está acontecendo algo.
Por exemplo as partidas de futebol.

Galvâo Bueno.

A essência da ficção é narrativa, pois responde os seus elementos a uma série de perguntas:

a. Quem participa dos elementos?  ( os personagens)

b. O que acontece? (enredo)

c. Onde em que circunstancias acontece? ( o lugar dos fatos, ambiente e situação)








Exemplo de descrição de ambiente.

A fazenda


Pior fazenda que a do Espigão, nenhuma. Já arruinara três donos, o que fazia dizer aos praguentos: Espiga é o que aquilo é! O detentor último, um Davi Moreira de Souza, arrematara-a em praça, convicto de negócio da China; já lá andava, também ele, escalavrado de dívidas, coçando a cabeça, num desânimo...
Os cafezais em vara, ano sim ano não batidos de pedra ou esturrados de geada, nunca deram de si colheita de entupir tulha. Os pastos ensapezados, enguanxumados, ensamambaiados nos topes, eram acampamentos de cupins com entremeios de macegas mortiças, formigantes de carrapatos. Boi entrado ali punha-se logo de costelas à mostra, encaroçado de bernes, triste e dolorido de meter dó.
As capoeiras substitutas das matas nativas revelavam pela indiscrição das tabocas a mais safada das terras secas.
Em tal solo a mandioca bracejava a medo varetinhas nodosas; a cana-caiana assumia aspecto de caninha, e esta virava um taquariço magrela dos que passam incólumes entre os cilindros moedores.
Pioravam os cavalos. Os porcos escapos à peste encruavam na magrém faraônica das vacas egípcias.
Por todos os cantos imperava o ferrão das saúvas, dia e noite entregues à tosa dos capins para que em outubro se toldasse o céu de nuvens de içás, em saracoteios amorosos com enamorados savitus.

(Monteiro Lobato. Urupês.13.ed.,São Paulo: Brasiliense,1996,p.234-5)

Monteiro Lobato.



Exemplo de descrição de pessoa
NHÔ RUFA
Chamava-se Rufino o preto cuja
carapinha em desalinho a neve dos anos
manchara de branco. Não sei a sua idade, mas meu avô dizia que "Negro quando pinta tem três vezes trinta". Talvez
carregasse por noventa anos aquele
corpo magro e dolorido.
As pálpebras empapuçadas deixavam entrever, dos olhos, apenas um risco preto que mirava com ódio a meninada que o acompanhava e divertia-se às
suas custas.
A pele preta era opaca e sem viço,
próprio da idade avançada. Seu nariz
achatado parecia esborrachado. O lá-
bio inferior, bem vermelho e grosso, pendia desgovernado, dificultando a fala.
Os pés grandes e descalços, sempre inchados, permitiam-lhe apenas um
caminhar trôpego, arrastado e cansado. Usava um velho capote de cor indefinida, onde predominava o pó da estrada, e um chapéu de feltro, maltratado
pelas intempéries, tão deformado pela
falta de forro a ponto de parecer uma
tigela desabada sobre os olhos.
Trazia a tiracolo um bodoque (que
é um arco para atirar bolotas de barro)
e, no outro ombro, uma velha aljava de
couro, velha e encardida, repleta das
ditas bolotas de barro seco, sua arma
contra os meninos. Estes diziam que Nhô
Rufa tinha bicho-de-pé e gritavam de
longe, em coro:
— Bichento! Bichento!

(Dalva Ferreira Fanchim. Piraí do Sul, sua gente e suas
histórias. Curitiba: Imprensa da Assembléia Legislativa
do Paraná, 1984, p. 90.)


Apendemos que a redação descritiva é o ato e descrever o que se vê, e nela temos as seguintes características.
a. Denotativa: usa-se o termo dicionarizado.
b. Conotativa: usa-se termos metafóricos.






segunda-feira, 20 de maio de 2013

Descrição



A descrição é atemporal, por um lado, e espacial, por outro.Verbos indicativos de ação ou movimento são secundários, valorizando-se os processos verbais não-significativos, ou de ligação. Há grandes descrições que desprezam totalmente formas verbais finitas, ressaltando o emprego de formas nominais (infinito, gerúndio e particípio).

Convém que se observe, na descrição, a quase ausência de processos verbais finitos (indicativo ou subjuntivo), o que dá a descrição um tom especialíssimo de imobilidade do objeto.

atemporal-independe do tempo.

espacial-Relativo ao espaço de lugar ou de tempo

Tipos de descrição

1. Descrição denotativa: A descrição é denotativa quando a linguagem representativa quando a linguagem do objeto é objetiva, clara, direta, sem metáforas ou outras figuras literárias. Na descrição denotativa , as palavras são tomadas no seu sentido de dicionário, único. Denotativas são por exemplo, as descrições científicas, as descrições que vem nos livros didáticos, ou seja, se usa a linguagem objetiva.

2. Descrição conotativa: É a descrição literária, onde s palavras são tomadas em sentido simbólico, ricas em polivalência . Visam a retratar uma realidade além da realidade. Uma 
supra-realidade.
Dado, por exemplo, o tema "A cadeira " para descrever: 


.

a. A pessoa que se limita a descrever fisicamente a cadeira - suas pernas, espaldar, assento,altura, cor etc.- estaria fazendo descrição denotativa.


b. Mas aquele que passasse, digamos, a descrever "reações psicológicas" de uma cadeira diante dos diferentes tipos de nádegas que sobre ela repousassem... estaria fazendo
descrição conotativa.

Qualidade da boa descrição.

Uma descrição é boa quando é viva, animando-se as paisagens com seres vivos e com a presença do homem. Além de viva a descrição deve ser real e personalizada.Descrição real e pormenorizada. Descrição real é a descrição em relevo, dotada, podemos dizer, de corpo. Devem ser eliminados todos os pormenores que não se subordinem à impressão geral que se quer dar.

O estilo da descrição 

A linguagem descritiva exige o vigar e o relevo do tempo forte, próprio, exato, concreto.
 Nos quadros de natureza, por exemplo, a linguagem deve traduzir a cor e a visão, os espaços sem limites, as formas sem contornos, imprecisas, intangíveis, para isso utilizando os termos gerais e abstratos. 







Exemplos de descrição

1. " Duas horas da tarde. Um sol ardente nos colmos dardejando e nos eirados sobreleva aos sussurros abafados o grito das bigornas estridentes..." (Gonçalves Crespo)














2." Manhã cinzenta. Partida de Lisboa. Os primeiros aspectos da campina ribatejana: touros, campinos de vara ao alto searas infinitas.
Depois mutação de cenário: florestas de pinheiros verdenegros, outeiros.
Uma aberta luz: campos extensos de milho e arrozais. Enfim, o tufo espesso do Choupal. Coimbra, debruçada sobre o Mondego." ( R.Lapa)












3."Sala de prédio novo no pátio do torel. Ornamentações "Liberty" na sua clara tonalidade preferida que funde o verde-mar e em rosa-pálido. Duas grandes janelas por onde se perspectiva a baixa e um longo trecho do rio. A parede do sul cortada por três arcos envidraçados que dão para uma espécie de estufa recendente". ( Teixeira Gomes)  
















4."Os companheiros de classe eram cerca de vinte. O Gualtério, miúdo, redondo de costas, cabelos revoltos, motilidade brusca e caretas de símio - palhaço dos outros, como dizia o professor. O Nascimento, o bicanca, alongado por um modelo geral de pelicano, nariz esbelto e largo como uma voice ; o Álvares, moreno, cenho carregado, cabeleira espessa e intonsa de vate de caverna, violento e estúpido (...); o Almeidinha, claro, translúcido, rosto de menina, faces de um roa doentio, que se levantava, para ira à pedra com um vagar lânguido de convalescença; o Maurílio, nervoso, insofrido, fortíssimo em tabuada: cincocvezes três, vezes dois, noves fora, vezes sete?...  
 (O Ateneu, Raul Pompéia- Coleção dos Clássicos Brasileiros, Edições de Ouro,p.57.)












Exemplo de descrição de pessoa
NHÔ RUFA
Chamava-se Rufino o preto cujacarapinha em desalinho a neve dos anosmanchara de branco. Não sei a sua ida-de, mas meu avô dizia que "Negro quan-do pinta tem três vezes trinta". Talvezcarregasse por noventa anos aquelecorpo magro e dolorido. As pálpebras empapuçadas deixa-vam entrever, dos olhos, apenas um ris-co preto que mirava com ódio a menina-da que o acompanhava e divertia-se àssuas custas. A pele preta era opaca e sem viço,próprio da idade avançada. Seu narizachatado parecia esborrachado. O lá-bio inferior, bem vermelho e grosso, pen-dia desgovernado, dificultando a fala.Os pés grandes e descalços, sem-pre inchados, permitiam-lhe apenas umcaminhar trôpego, arrastado e cansa-do. Usava um velho capote de cor inde-finida, onde predominava o pó da estra-da, e um chapéu de feltro, maltratadopelas intempéries, tão deformado pelafalta de forro a ponto de parecer umatigela desabada sobre os olhos.Trazia a tiracolo um bodoque (queé um arco para atirar bolotas de barro)e, no outro ombro, uma velha aljava decouro, velha e encardida, repleta dasditas bolotas de barro seco, sua armacontra os meninos. Estes diziam que NhôRufa tinha bicho-de-pé e gritavam

Tipos de redação


Existe três tipos de redação, que são: a descritiva, a narrativa e a dissertativa.

Descrição


Afinal de contas, o que é descrever?
Descrever é traduzir com palavras aquilo que se viu e/ou observou. É a representação, por meio das palavras de um objeto ou imagem.
É uma sequencia de aspectos: forma, tamanho,matriz, quantidade e etc. Equivale a um registro que se vê em uma fotografia. Pessoas, objetos ou paisagens (com todos os seus pormenores) podem ser objeto de um desenho ou pintura e, logicamente, de uma descrição.
 Consiste em fazer viver, tornar vivos e tangíveis os pormenores, situações ou pessoas. É evocar o que se vê ou sente, ou criar o que não se vê ou sente, ou criar o que não se vê, mas se percebe ou imagina. Descrever não é copiar friamente, mas enriquecer a visão do que é real ou procura-se tornar real. Saber descrever não significa enumerar muitos detalhes, mas procurar transmitir sensações fortes.
A descrição não é constituída de ação. É estática.
Na descrição, o ser, o objeto ou o ambiente são mais importantes, ocupando lugar de destaque na frase o substantivo e o adjetivo.

CAVALO    VELOZ
subst.              adj.


 O interesse de um texto descritivo reside na impressão que tal descrição provoca em nós, e nada melhor que o substantivo- que designa o mundo do ser- e o adjetivo que designa o mundo das qualidades do ser- para produzirem enfaticamente aquela impressão que brota da fonte descritiva.
 O emissor capta  a realidade por meio de seus sentimentos e transmite, utilizando os recursos da linguagem, tal que o receptor a identifique. A  caracterização é imprescindível, daí a forte incidência  de adjetivos no texto.


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Manual de redação.

Teoria da redação.


Introdução



A redação no vestibular, ou em qualquer tipo de concurso, certamente já causou muito mais horror, tremores faniquitos e bloqueios do que hoje. Descarte, passou o tempo, aprendeu-se a conviver com ela, mas não se lhe descobriram o segredo, não se lhe assinalaram as técnicas, não se lhe adquiriu o sabor gratificante da convivência: tornou-se conhecida, mas não íntima.
O vestibular nos exige muito mais que garatujas, rabiscos, arremedos de comunicação verbal lançados no papel.
As falhas, sabemo-las, são de base. A reforma do ensino, com distanciamento da cultura humanística, assolou o debilitado saber, contribuindo muito mais para um ensino pragmático que se coloca adverso -ao gosto pelas letras-.
E comunicarmo-nos é criar. É oferecer a outrem as nossas ideias, as nossas opiniões, as nossas experiencias de vida. É mostrar a nossa cultura e personalidade. A comunicação escrita, muito mais que a oral,  é o nosso auto-retrato.
 A redação surge como um verdadeiro espelho do que somos - é o peso de nossa bagagem cultural. Ora, entendendo-a, mesmo que inconscientemente, como reflexo da nossa bagagem formativa, como reflexo - do que sou-, parece-nos formal a reação instintiva de detestá-la, de abstraí-la de nosso dia-a-dia, pois seria normal o regozijo por uma redação que nos lembrasse todas as limitações de que somos possuidores.
E, ainda por cima, com nosso nome e assinatura... É demais!